Nunca tive apetência por ler ou fazer
blogues. No entanto, sempre que procuro uma informação na net, qualquer que
seja, há sempre um blogue que salta para o ecrã do meu PC, como castanhas a
assar em lume forte. Vivemos na era do “Eu acho que …”; “Eu julgo que …” ou “Eu
penso que…”. A partir de finais dos anos 90 toda a gente desatou a ter opinião
sobre quase tudo. É claro que é muito importante ter opinião, principalmente se
essa opinião for alicerçada em pressupostos, mesmo que sejam distintos daqueles
que nós usaríamos para opinar sobre o mesmo assunto. Caberá ao leitor decidir
fazer correr o cursor para ler essa opinião ou fechar a página. É isso que eu
faço muitas vezes porque aprendi a seleccionar a informação.
Na década de oitenta, quando comecei a
lidar com a internet, fiquei maravilhada com a facilidade com que se obtinha
informação e com a quantidade que estava ao nosso dispor. As subidas e descidas
que fazia à prateleira superior da minha estante para consultar a enciclopédia
tinham acabado. Já não corria o risco de cair quando ficava entusiasmada por
encontrar, ainda no local de arrumação da obra (leia-se no cimo da escada), o
assunto que procurava. Apesar da dificuldade em aceder à Internet (era quase
necessário ter um curso de programação!) e do tempo que demorava a fazer a
ligação (o ruído também não é despiciente nesta avaliação), entrar na World
Wide Web era entrar no paraíso. Na década de setenta e oitenta os jovens
mais endinheirados iam de propósito a Paris e a Londres comprar livros e
discos. Os menos abonados, como eu, iam a Vigo. Cá, em Portugal, só por
encomenda se conseguiam comprar determinadas obras (arte, principalmente) e/ou
discos. Tal como no conto de Charles Dickens, A
Tale of Two Cities, para mim foi o melhor dos tempos, mas foi também o pior
dos tempos. Como não conseguia processar toda a informação em conhecimento
julguei estar a desenvolver uma doença chamada “estupidez aguda”. À medida que
aumentava a frequência de utilização da Web, mais “deprimida” ficava com a
incapacidade de guardar a informação na minha cabeça. A noção de que a
informação estava ao alcance de um click era muito remota.
Nessa altura, as discussões sobre um
determinado assunto (quase sempre sobre política ou arte no sentido lato do
termo - cinema, fotografia…) faziam-se nos cafés. Éramos capazes de estar
agarrados às palavras, aos gestos e aos olhares toda a tarde e toda a noite.
Parte da minha formação foi feita dessa maneira. A outra foi lendo os livros
(os tais que nem sempre estavam à venda em Portugal) que eram referidos nessas
discussões. A escola era muito conservadora e nada criativa.
Se quero acompanhar os tempos, tenho que
olhar os blogues como as tertúlias da década de setenta e oitenta. Por isso,
seria bom que os assuntos aqui tratados fossem discutidos, principalmente por
todos aqueles que vierem por bem.