terça-feira, 4 de setembro de 2012

À descoberta do país: o peixeiro


“Sardinha, chucharro, salmão, camarão, polvo e outros peixes … a bom preço”, apregoados em alto som, tendo como música de fundo um vira minhoto. Eram 9:30 horas da manhã, o carro do peixeiro parado mesmo por baixo da janela do hotel. Um modo inesperado de acordar. Se o sono tivesse varrido essa consciência, o barulho não permitia escamoteá-la: estava-se no Portugal profundo, onde o tempo parece decorrer mais vagarosamente.

A chegada à sala do pequeno-almoço foi feita já para além de hora aceitável. Porém, o sorriso da gerente foi aberto e sincero: “Não há problema. Não se esqueçam de provar o doce de figos.” E para que assim fosse, foi buscar o frasco e colocou-o na mesa. Uma maravilha, adicionada a um pão gostoso com sementes. “Eis uma das vantagens de se estar instalado num hotel pequeno, onde cada cliente é tratado de modo particular”, pensei para com os meus botões, enquanto saboreava o pão com doce.

À descoberta do país: a Adega do Maneca


Há uma ideia que é do mais elementar bom-senso: não se deve improvisar. Deve-se, sim, planear, programar, definir objetivos ou destinos. Comungo dessa ideia. Porém, uma pequena dose de improviso, sobretudo em viagem, coloca um pouco de “sal” e aproxima o simples viajar da aventura.

Foi o que aconteceu desta vez. Destino: “Parque Nacional do Alvão”, com entrada pelo norte. Pesquisa-se um hotel de preço acessível, numa localidade que se não conhece – de nome Cerva –, não se faz reserva. Chega-se ao hotel quase por acaso, pois o trajeto não foi pródigo em sinalização. A sorte está presente: só havia um quarto disponível.
De caminho, ainda houve oportunidade de aprender que Mondim de Basto, encostada ao cónico monte da Sra. da Graça, não se confunde com Celorico ou Cabeceiras, também das terras de Basto. 

Cerva foi uma agradável surpresa. Plena de história, com as suas pontes românicas e as suas casas brasonadas; com infraestruturas atuais, que tornam agradável a vida dos seus moradores e daqueles que a visitam, onde avulta uma belíssima praia fluvial e variados restaurantes e estabelecimentos comerciais.
Fim de dia, hora de procurar local para jantar. Muita oferta, mas quase todos os locais vazios. E isso é um problema, pois um restaurante vazio tende a ser frio, despido daquele mínimo de calor humano que torna minimamente agradável qualquer repasto.