“Sardinha,
chucharro, salmão, camarão, polvo e outros peixes … a bom preço”, apregoados
em alto som, tendo como música de fundo um vira minhoto. Eram 9:30 horas da
manhã, o carro do peixeiro parado mesmo por baixo da janela do hotel. Um modo
inesperado de acordar. Se o sono tivesse varrido essa consciência, o barulho
não permitia escamoteá-la: estava-se no Portugal profundo, onde o tempo parece decorrer
mais vagarosamente.
A chegada à sala do
pequeno-almoço foi feita já para além de hora aceitável. Porém, o sorriso da
gerente foi aberto e sincero: “Não há problema. Não se esqueçam de provar o
doce de figos.” E para que assim fosse, foi buscar o frasco e colocou-o na
mesa. Uma maravilha, adicionada a um pão gostoso com sementes. “Eis uma das
vantagens de se estar instalado num hotel pequeno, onde cada cliente é tratado de
modo particular”, pensei para com os meus botões, enquanto saboreava o pão com
doce.