terça-feira, 25 de setembro de 2012

À descoberta do interior do país: o turismo fechado


O plano era simples. Sábado de manhã, com calçado apropriado, ir ao posto de turismo buscar informação sobre o Parque Nacional do Alvão e partir para longas caminhadas. Mas, como diz o ditado, “a ração não é para quem a talha, mas para quem a come”.

Primeiro, o posto de turismo estava encerrado ao sábado. Custou, e custa, a perceber a razão desse encerramento, quando se pretende fomentar o turismo e acolher os visitantes. Desanimados, ao tomar café numa agradável esplanada próxima, aparece o H., um colega da Lucinda, e dois dedos de conversa levaram a uma manhã de caminhada … na cidade.

Quem não gosta de mostrar a visitantes a cidade onde nasceu e cresceu? Isso acontecia com H., que nos levou a conhecer alguns cantos históricos e pitorescos de Vila Real. O plano estava alterado, mas nem por isso o programa foi menos interessante. Pelo meu lado, fiquei com vontade de lá voltar e usufruir do aconchego desta pequena cidade cheia de história … e de “estórias” (o seminário maior das 365 janelas; o escudo dos Távoras limpo pelo Marquês; a coleta dos 100 contos para colocar o primeiro elevador num prédio de Vila Real, edifício que hoje é considerado uma aberração em plena zona histórica; a taberna da Baca Belha, onde conhecemos o C.G., um inglês há quinze anos na cidade, com uma visão muito própria da cidade e do país …).

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

À descoberta do país: uma época que tarda em voltar a Vidago


No caminho para Vila Pouca de Aguiar, à saída de Cerva, aparece lá em baixo, num pequeno vale profundo, a aldeia de Cabriz, cujo núcleo é composto por um conjunto de grandes casas de granito que parecem remontar a meados do século VXIII. Casas que deixam antever terem sido pertença de famílias ricas. Uma pergunta cruza a mente: como é que uma localidade tão pequena, com pouca terra agrícola disponível, tinha condições para albergar no seu seio tantas casas grandes e ricas? Seria o pastoreio a explicação? Ficou a vontade de pesquisar mais tarde a resposta para estas perguntas. 

A parte urbana de Vila Pouca de Aguiar é muito agradável. Um núcleo estruturado em torno da parte mais antiga, numa simbiose pensada e executada para agradar ao visitante. Foi uma primeira visita, mas permitiu constatar que por lá havia noutros tempos passado o comboio. Não que os carris de ferro fossem prova disso, pois não existem, mas a estação de ontem estava lá a atestar esse passado, bem preservada e transformada em centro cultural. O comboio, que existiu e hoje não existe. Um passado que é olhado, por alguns, como condicionante (negativa) do presente.  

terça-feira, 4 de setembro de 2012

À descoberta do país: o peixeiro


“Sardinha, chucharro, salmão, camarão, polvo e outros peixes … a bom preço”, apregoados em alto som, tendo como música de fundo um vira minhoto. Eram 9:30 horas da manhã, o carro do peixeiro parado mesmo por baixo da janela do hotel. Um modo inesperado de acordar. Se o sono tivesse varrido essa consciência, o barulho não permitia escamoteá-la: estava-se no Portugal profundo, onde o tempo parece decorrer mais vagarosamente.

A chegada à sala do pequeno-almoço foi feita já para além de hora aceitável. Porém, o sorriso da gerente foi aberto e sincero: “Não há problema. Não se esqueçam de provar o doce de figos.” E para que assim fosse, foi buscar o frasco e colocou-o na mesa. Uma maravilha, adicionada a um pão gostoso com sementes. “Eis uma das vantagens de se estar instalado num hotel pequeno, onde cada cliente é tratado de modo particular”, pensei para com os meus botões, enquanto saboreava o pão com doce.

À descoberta do país: a Adega do Maneca


Há uma ideia que é do mais elementar bom-senso: não se deve improvisar. Deve-se, sim, planear, programar, definir objetivos ou destinos. Comungo dessa ideia. Porém, uma pequena dose de improviso, sobretudo em viagem, coloca um pouco de “sal” e aproxima o simples viajar da aventura.

Foi o que aconteceu desta vez. Destino: “Parque Nacional do Alvão”, com entrada pelo norte. Pesquisa-se um hotel de preço acessível, numa localidade que se não conhece – de nome Cerva –, não se faz reserva. Chega-se ao hotel quase por acaso, pois o trajeto não foi pródigo em sinalização. A sorte está presente: só havia um quarto disponível.
De caminho, ainda houve oportunidade de aprender que Mondim de Basto, encostada ao cónico monte da Sra. da Graça, não se confunde com Celorico ou Cabeceiras, também das terras de Basto. 

Cerva foi uma agradável surpresa. Plena de história, com as suas pontes românicas e as suas casas brasonadas; com infraestruturas atuais, que tornam agradável a vida dos seus moradores e daqueles que a visitam, onde avulta uma belíssima praia fluvial e variados restaurantes e estabelecimentos comerciais.
Fim de dia, hora de procurar local para jantar. Muita oferta, mas quase todos os locais vazios. E isso é um problema, pois um restaurante vazio tende a ser frio, despido daquele mínimo de calor humano que torna minimamente agradável qualquer repasto.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Triângulo de interesses associados à solidariedade …


No espaço de poucos dias os meios de comunicação social fizeram eco de duas situações do mesmo teor: há atividades que necessitam de trabalhadores para trabalhos sazonais – como a apanha do tomate ou das uvas – e não os conseguem obter.
Tendo em consideração o desemprego galopante que castiga o país, este tipo de notícias é sempre objeto de parangonas que confrontam as duas realidades – o desemprego e a escassez de trabalhadores – de forma a realçarem o paradoxo associado. Um terceiro elemento é, também, geralmente associado à publicitação deste tipo de notícias: o dos subsídios que os desempregados, ou as famílias com muito baixos recursos, recebem dos sistemas de segurança social e solidariedade, alimentados pelos impostos dos contribuintes.
Pode-se argumentar que este tipo de notícias, e o enquadramento que lhes é dado, é enviesado; que notícias pontuais de procura de trabalhadores não refletem a realidade nacional, onde escasseia o trabalho; que desencontros de natureza geográfica, entre a oferta e a procura de trabalho, nunca são tidos em consideração para enquadrar as notícias.
Pode-se, efetivamente. Porém, é justo pensar que há instrumentos de política social, como o caso da atribuição de um subsídio a quem cai numa situação de desemprego, que são justificáveis no contexto de um país solidário e socialmente comprometido, mas que podem acabar por ter um efeito nefasto sobre o funcionamento do mercado de trabalho e o “casamento” entre oferta e procura.

“Cortinas de fumo”, em ambiente de desconfiança …


Foi há cerca de uma semana. A notícia surgiu de repente, primeiro num jornal eletrónico, depois num canal televisivo com uma entrevista à respetiva “fonte”: o Governo já tem plano para a RTP, passando por encerrar o Canal 2 e concessionar o restante serviço por 15 ou 20 anos.

1. Desde então não se tem falado de outra coisa. Sem que o Governo expressamente tenha assumido a notícia como credível, as opiniões são esgrimidas sem descanso nos órgãos de comunicação. Partidários versus opositores. Entre estes últimos, sobressai em tons garridos aquela desconfiança endémica que é um traço caraterístico da nossa cultura: a medida é um meio para favorecer os amigos dos partidos no Governo.
Eu não posso afirmar que não venha a produzir esse resultado. O que eu não concordo é que, mesmo antes de se conhecerem os contornos da operação – supondo que efetivamente se trata de uma notícia verdadeira – se comece por assumir que há favorecimentos, que há ilicitude, que os poderes públicos instituídos não são capazes de contrariar e punir comportamentos menos adequados no tratamento da “rés publica”. É triste que a discussão de aspetos importantes da nossa vida coletiva nunca seja feita com argumentos esclarecedores e fomentadores de uma troca de opiniões sã e abrangente. Não, as “discussões” versam sempre a desconfiança no outro, partem sempre do princípio de que ele é criminoso, mesmo antes de se ter encetado qualquer ação.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nunca há responsáveis …


Lê-se na imprensa e não se acredita.
Caso 1: Em 2001 o Estado português adquiriu um conjunto de helicópteros. Como na altura não havia fundos para os pagar, os responsáveis do Ministério da Defesa à altura inventaram um complexo esquema de engenharia financeira destinado a possibilitar a compra. Na prática, simplificando as teias das intrincadas relações de sociedades envolvidas no caso, aquilo que aconteceu foi os referidos equipamentos terem sido adquiridos em “locação operacional”. Traduzido, significa terem sido alugados, contra pagamento de uma renda à sociedade que efetivamente os adquiriu. Resultado: o custo efetivo dos equipamentos verificou um desvio para mais, relativo ao preço original, de mais de 50%, ou seja, qualquer coisa como mais 120 milhões de euros!
Como se tudo isto não bastasse para se pedirem responsabilidades, vem agora o Tribunal de Contas alertar para o facto de se terem vindo a pagar em duplicado faturas relativas à referida operação. Pura e simplesmente, no meio de tanta engenharia financeira, não se assegurou que um qualquer organismo tivesse ficado responsável pelo controlo das “contas”.
O Ministério da Defesa vai mandar fazer um inquérito ao sucedido. Já sabemos o que significa isso: mais tempo e recursos desperdiçados, pois nunca se apuram responsáveis e responsabilidades.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um país de “doutores” …


Jornal Público de 21/7/2012: “Anúncios de emprego oferecem mais dinheiro a serralheiros que a engenheiros”. A informação que substanciava tal título referia que “No site da Netemprego [Instituto do Emprego e Formação Profissional] oferece-se um lugar para um engenheiro mecânico, em Lousada, com conhecimento de três línguas (Inglês, Francês e Espanhol) e um salário de 600 euros, inferior aos 800 euros pagos a um torneiro mecânico, em Alcobaça, um serralheiro mecânico, em Pombal ou a um montador de tubagens, em Valença.”

Depois de nas últimas semanas termos ficado chocados com os 3,5 Euros/hora que o Ministério da Saúde tinha recebido como oferta a uma consulta de mercado para a aquisição de serviços de enfermagem, ou os 4,5 Euros para serviços médicos, esta notícia é mais uma achega que nos remete para os enviesamentos que ao longo das últimas décadas a formação (educação) profissional no país verificou.
Ser “doutor”, num país que tinham falta de licenciados, era (é )o sonho de todo o jovem. E ao longo dos anos uma grande parte dos recursos públicos foi afeta a criar as condições para que o sistema de ensino, publico e privado, possibilitasse esse desiderato. Os cursos de licenciatura brotaram a esmo, às centenas, nalguns casos diplomando pessoas em especialidades bizarras para as quais, nem com muita imaginação, se conseguia perspetivar uma aplicação profissional direta.

domingo, 1 de julho de 2012

O emprego que não é gerado …


O tema do seminário era a discussão das perspetivas de evolução futura da economia portuguesa. Dois oradores. O primeiro, apresentando dados macroeconómicos relativos à evolução recente e tendências de evolução futura das exportações portuguesas. O segundo, administrador de uma empresa portuguesa dedicada ao fabrico e comercialização de azeite e óleo alimentar – a Sovena –, descrevendo as principais etapas do respetivo processo de internacionalização.
Centro-me nesta última apresentação. O referido senhor, a determinada altura, a propósito do azeite, referia o facto da sua empresa ao longo dos anos ter vindo a fazer vultuosos investimentos.
"A nossa atividade, que é verticalizada, abrange desde a produção da azeitona à comercialização do azeite e é totalmente automatizada." – referiu. Com mais detalhe, explicou que a plantação das oliveiras em imensos olivais é mecanizada; a rega das oliveiras é automatizada, sendo controlada a partir do Alentejo, não só para os olivais que têm nessa região, mas também para os que têm em Espanha e em Marrocos; a recolha da azeitona é mecânica, e é automatizado o processo fabril inerente ao fabrico e o engarrafamento.
Em virtude disso, uma empresa verticalizada como esta, que tem uma quota superior a 6% do mercado mundial de azeite, não emprega no conjunto, nos diversos países onde está implantada, mais de 1000 pessoas.

sábado, 30 de junho de 2012

A crise à mesa de um restaurante …


Por questões profissionais, há dias participei num jantar de negócios. Um daqueles encontros agradáveis, descontraídos, num restaurante bonito que, além de outros predicados, tinha o aliciante de proporcionar boa comida.
Os restantes convivas, pessoas simpáticas e bem-falantes, denotavam traquejo de participação em muitos encontros sociais semelhantes. Isso era facilmente percetível pelo modo como cada um contribuía para a conversa sem, no entanto, a monopolizar; como cada um, qual ator ensaiado, assegurava que a conversa não esmorecia, alimentando-a, esticando o assunto umas vezes, outras introduzindo-lhe subtis mudanças de rumo.
Neste ambiente deveras agradável a nota menos positiva, para alguém com o meu orçamento mensal, foi pensar no preço da refeição. Sem ser uma refeição de exageros, uma pequena entrada, o prato principal, a sobremesa e um pouco de vinho – uma garrafa para seis – rondou os 50 euros por pessoa. Um montante que, confesso, não é irrelevante no meu orçamento. É, em termos médios, o montante mensal que me permito gastar em atividades sociais e ou de lazer.
Face a este nível de preços e ao facto de se tratar de uma quinta-feira, esperava outra afluência ao restaurante. Porém, durante as mais de duas horas que a refeição durou ele esteve sempre completamente cheio. Cedo me convenci que aquela situação que então vivia era mais uma evidência de que os efeitos da crise são assimétricos, esmagando os financeiramente mais débeis, passando ao lado dos restantes.

sábado, 23 de junho de 2012

Estratégias do tipo “eu também quero” …


Não é preciso alguém ser um observador muito atento para se aperceber, com facilidade, que de há cerca de dois anos a esta parte as lojas de compra de ouro usado têm surgido quase como “cogumelos em tempo de chuva”.
Primeiro nas zonas urbanas mais populosas, depois, quase como um “tsunami” que se desloca para os arredores das grandes cidades e, daí, para o interior. Por mais intensa que seja a crise para alguns dos cidadãos portugueses, dificilmente se consegue acreditar que haja tanto ouro para vender de modo a gerar negócio para todas as lojas existentes. [Mesmo que as margens de lucro do negócio sejam elevadas.] Em certas localidades, mesmo que pequenas, este tipo de negócio aparece implantado (quase) porta sim, porta sim, com as suas janelas pintadas de cores vivas opacas, permitindo salvaguardar a privacidade de quem em desespero se socorre de tal fonte de financiamento e servindo de superfície onde se anuncia em grandes parangonas “Compra-se ouro usado”.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Responsabilidades …


De acordo com a imprensa escrita de ontem (15 de junho), a Madeira recebeu a primeira prestação do acordo financeiro que negociou com o governo da República Portuguesa. Esse montante destina-se a pagar uma pequena parte das muitas dívidas que a Região Autónoma foi acumulando ao longo dos últimos anos. Dívidas que, recorde-se, em parte foram escondidas até ao limite em que a respectiva dimensão já não possibilitava continuar a fazê-lo.
Ontem, também, essa mesma imprensa fazia eco de mais um relatório do Tribunal de Contas onde se denuncia que, na área do desporto e turismo, o governo da Madeira escondeu quase duas centenas de milhões de euros de dívidas.
Mas o caso da Madeira não é único. Ainda há poucos dias se ficou a saber, a partir gualmente do Tribunal de Contas, que no caso da renegociação de parcerias público-privadas relativas a auto-estradas houve sonegação de informação, o que levou a que o respectivo contrato tivesse sido (indevidamente) despachado de modo favorável por aquele tribunal.
Apesar destes casos de fraude na prestação de contas, o facto é que não se notam indícios de que as autoridades judiciais se aprestem para apurar responsabilidades e penalizar as pessoas que cometeram tais atos. O que pontualmente se toma conhecimento é de estes episódios serem objecto de “chicana política” numa qualquer comissão parlamentar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A banca em Espanha …


Há minutos a rádio noticiava que a agência de notação Fitch tinha cortado o “rating” de Espanha – uma medida da capacidade deste país solver os seus compromissos – em três níveis de uma só vez. É preocupante a notícia. Refiro duas razões.

Primeira, um corte desta dimensão indicia uma alteração muito substancial num curto prazo das condições inerentes à economia espanhola. Se bem que a Espanha já há muito não estivesse na “crista da onda” em termos das boas graças dos mercados, as últimas semanas neste domínio têm sido devastadoras. No centro, a má situação de parte dos bancos espanhóis, a necessitarem urgentemente de injeções astronómicas de dinheiro para evitarem a falência. Se é comumente aceite que os responsáveis do recentemente empossado governo espanhol não têm sido eficazes ao nível da gestão mediática dos problemas que o país atravessa, demonstrando uma enorme inabilidade – com constantes “tiros nos pés” –, o facto é que até o cidadão comum vai tomando consciência a cada dia que passa da muito difícil situação do sistema bancário espanhol, bem pior do que se poderia pensar.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O aluno …


Imagine o leitor uma turma com cerca de cinquenta alunos, onde a maioria está desmotivada para o estudo (qualquer que este seja). Por mais que o professor faça, nas aulas e fora delas, a desmotivação dos alunos é uma constante. Se, por acaso, uma qualquer novidade quebra por breves momentos a sua apatia, logo esta está de volta. Às vezes imagino que mesmo que o teto da sala começasse a desabar, os alunos não se mexeriam. (Estou a ser exagerado.) 

Mas eis que um dia – há algumas semanas –, quando entrei na sala de aula, constatei que havia um aluno novo. Pode parecer estranho que disso me tenha apercebido, no meio de quase meia centena de estudantes, em particular num contexto em que a turma tem uma composição variável no tempo. Não tivesse eu notado a existência de um novo aluno e rapidamente me teria confrontado com tal situação, pois ele veio ter comigo, apresentou-se, pediu desculpa por desde o início do semestre ainda não ter vindo às aulas e justificou a ausência com o ter estado adoentado.

A aula começou e, quase de imediato, apercebi-me que o referido aluno estava super-motivado, intervindo continuamente, com achegas sobre os assuntos em discussão e não só. Sempre que eu projetava um “slide” ou escrevia algo no quadro negro, a sua intervenção não se fazia esperar.

Pensará o leitor que este era o milagre de que eu estava à espera para que a turma se motivasse. Não me parece. Já explicarei porquê. Antes, deixe-me dizer porque detetei a presença do novo aluno mal entrei na sala.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Conduzir em (in)segurança …


No jornal Público Online de hoje li a seguinte notícia (reproduzo extrato):
“Utilizar telemóvel no carro resulta em sete multas por hora
Quando o condutor atende uma chamada telefónica ou escreve uma mensagem está a desviar o olhar da estrada. O uso incorrecto do telemóvel ao volante está a dar origem a sete multas por hora. … no primeiro trimestre deste ano, houve uma média de 163 contra-ordenações por dia, sete por hora. Ao todo, somaram-se 14.649 autos. Se assim continuar, este ano haverá mais registos do que no ano passado, altura em que se verificaram 57.905. … A multa para este tipo de infracção tem o valor mínimo de 120 euros mas pode chegar ao máximo de 600. Ao contrário do que muitos condutores acreditam, não é por se estar parado no semáforo, à espera que o sinal passe para verde, que não se pode ser multado. Os semáforos fazem parte do percurso. Por isso, a alternativa para falar ao telefone ou enviar mensagens é estacionar o carro.”
Sorri. Duas razões explicam esta minha reação.
Primeira, porque pensei que estes números não mostram mais do que a ponta do “iceberg”. São tantos os condutores que vemos ao telemóvel enquanto conduzem, que estes “apanhados” são apenas uma pequena amostra … aqueles que tiveram "azar".
Segunda, porque me trouxe à mente uma cena que tinha presenciado um par de horas antes. De manhã cedo, no trajeto para o emprego e num troço da auto-estrada particularmente difícil pelo grande fluxo de trânsito e pelas manobras perigosas que aí ocorrem – a confluência da A4 com a A3 –, uma viatura seguia à minha frente em marcha “moderada” (cerca de 70 km hora), em longos ziguezagues, dentro da faixa em que se deslocava, por vezes chegando a entrar na faixa adjacente. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A reeleição dos autarcas …


Fui convidado para fazer parte do comité científico de um congresso na área da Contabilidade, que decorrerá em Setembro, em Ofir. O efeito mais imediato deste tipo de convites, quando aceite, é recebermos um conjunto de potenciais comunicações ao congresso, para efeitos de avaliação. O objetivo desta tarefa é selecionar, para apresentação, comunicações que proponham algo de inovador e sejam bem elaboradas.
 
Dos cinco trabalhos que me couberam, todos na área da Contabilidade Pública, quatro podem ser considerados como “eventualmente apresentáveis”, embora se situem, em termos de qualidade, na metade inferior da tabela. Por outras palavras, trata-se de trabalhos a pender para o fraco. Uns porque não propõem nada de novo; outros porque apresentam lacunas metodológico-científicas.

Quando eu já desesperava face à fraca qualidade do lote que me coubera avaliar, eis que o quinto, e último, apareceu como uma “lufada de ar fresco” para aliviar o meu desconforto. 


sábado, 26 de maio de 2012

O Facebook de que não gosto …


Começo por dizer que tenho uma conta no Facebook. Confesso, porém, que nem sei bem por que a mantenho. Há cerca de dois anos tive de a abrir por razões profissionais, para aí colocar e partilhar um pequeno texto de minha autoria. Desde então, passam-se meses sem a abrir, apesar dos constantes lembretes que recebo sobre os pedidos de amizade que esperam por resposta. Ontem, por exemplo, fui lá e “despachei” o expediente, num rápido. Tenho de confessar, também, que não conheço bem as funcionalidades da aplicação e que fico surpreso sempre que ouço pessoas dizerem que a visitam dezenas de vezes ao dia, aí colocando todas as suas vidas. Fico com a sensação - exagerada, certamente - de que para tais pessoas o Facebook é quase tão importante como o ar que respiram.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O dia perfeito …


[7:40 horas, à saída de casa]
Saí de casa, fechando a porta atrás de mim, em direção ao carro, estacionado do outro lado da rua. Não sei explicar o como ou o porquê, mas o facto é que fiquei extasiado. Parei e olhei à minha volta. Imperava o silêncio, o céu estava azul profundo e a luminosidade da manhã, antes de o Sol estar visível, emprestava ao ambiente uma tonalidade irreal. O verde de diferentes tonalidades nas árvores matizava o colorido do espaço. Respirei fundo e dei Graças a Deus pela vida e pelo usufruto dos sentidos que Ele me proporcionava. Sentia-me enlevado, bem comigo próprio e com o Mundo.
Abri a porta do carro, instalei-me, rodei a chave na ignição. O rádio estava ligado e começou a difundir música clássica: o concerto para piano e orquestra nº 23 de Mozart. A “cereja no topo do bolo”. Apetecia-me ter ficado ali parado, a escutar a música e a viver o momento. Não podia. Iniciei a viagem, mas contrariamente ao que faço habitualmente – em que desligo o rádio –, não o desliguei. Coloquei o som mais baixo e fui conduzindo, enquanto rezava as minhas orações matinais.

O painel …


A semana passada fui convidado para moderar um painel de peritos, num encontro sobre “economia paralela”. Para os menos familiarizados com o termo, significa a parte das transações económicas efetuadas num país (vendas de bens e serviços) que não são registadas. Para ser mais concreto, uma parte substancial dessa economia paralela resulta de algo que se ouve falar com frequência, as denominadas “vendas sem fatura”.
Na generalidade dos casos, como foi o presente, o papel do moderador é residual. Abre a sessão, com meia dúzia de palavras sobre o modo como ela será alinhada; apresenta cada um dos oradores; na fase da participação da audiência, vai gerindo as perguntas colocadas, distribuindo-as por cada orador; no final, encerra os trabalhos, com algumas palavras que sumariem as ideias principiais da sessão – mas que não podem ser muitas, já que a audiência se começa a movimentar com vista a preparar a saída.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O dia chegou …


São 16:30 horas. Estou na sala de espera do IPO, aguardando a chamada para o tratamento. A Lucinda está aqui ao meu lado, às voltas com “dossiers” de alunos que, durante as horas de trabalho na escola, não teve tempo de atualizar.
Fomos almoçar a Matosinhos. Como o tratamento estava agendado para meio da tarde, deu tempo para um almoço diferente, um pouco mais calmo e variado. As sardinhas eram “secas (aviso do funcionário do restaurante O Tito) e por isso optámos pelo salmão. Usufruímos de uma belíssima refeição. No retorno, em direção ao hospital, parámos no Continente para comprar uns bombons destinados às enfermeiras de serviço.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dez anos passados …


Dia 2 de Maio de 2002. Às 14:00 horas, numa pequena sala da Lancaster University Management School, frente a dois arguentes, iniciei a defesa da minha tese de doutoramento. Duas horas e meia para justificar um trabalho que me levou cerca de quatro anos a elaborar.
Olhando para trás no tempo, para esse momento, eu não consigo lembrar-me do quão nervoso estaria. Penso que não estava muito e que encarei a sessão com relativa calma. Lembro-me, sim, no término, quando os arguentes deram por encerrado o questionamento do meu trabalho, que olhei para o relógio e fiquei admirado por ter passado tanto tempo desde o início da sessão. O tempo “voara” enquanto eu esgrima argumentos em defesa do trabalho compactado numa brochura com cerca de 250 páginas. Fui aprovado, com a obrigação de efetuar umas ligeiras correções ao trabalho. Algo que, numa tarde de trabalho, facilmente resolvi.
Lancaster University - Chaplaincy Centre
Foi um alívio. Respirei fundo, olhei para o fim de tarde soalheiro e dei graças a Deus por me ter guiado ao longo de um processo longo e nem sempre isento de dúvidas, de receios e de pressão. O meu orientador, o Prof. Peter Pope, no final da sessão, quando passei pelo seu gabinete para lhe dar conta do resultado da prova, sorriu, como que a querer significar que já sabia qual seria o desfecho, e convidou-me para ir com ele e um professor visitante que estava no seu gabinete beber uma “pint” de cerveja à cidade, a um desses “pubs” bem ingleses. Aceitei o convite. Quando voltei para casa era quase hora do jantar. Eu sentia aquela paz interior que está associada ao “dever cumprido”.

A minha ideia do que é um líder …


No decurso da minha juventude, devorei muitos livros de aventuras marítimas. Ainda hoje não me ponho de fora quando tenho oportunidade de me deixar embalar nas ondas de uma boa aventura por mares “nunca dantes navegados”. Talvez por isso, formei uma ideia do capitão de um navio como a pessoa que guia os seus homens, que sofre as mesmas vicissitudes destes e, além disso, quando a aventura corre mal, é o último a abandonar o navio.
Esta minha ideia da figura do capitão pode ser considerada idílica, a julgar pelo exemplo mais recente do capitão do famigerado navio de cruzeiro Costa Concordia, em que ele foi um dos primeiros a fugir, enquanto aquele naufragava. Porém, aceitando que possa tratar-se de uma visão idílica, continuo a achar que ela se confunde com a ideia que eu tenho do que deve ser um líder.

Um bom bife …


No passado domingo, a propósito do dia da Terra, o jornal Público, na respetiva revista, oferecia um conjunto de trabalhos sobre o consumo de recursos no dia-a-dia. Num deles, a jornalista Alexandra Prado Coelho descrevia a tarefa a que se devotou durante um dia para poupar água.
Poupou uns quantos litros ao reduzir a duração do chuveiro, ao usar sabonete em vez de gel de banho – segundo ela, o primeiro é mais fácil de ser retirado do corpo –, ao lavar os dentes sem ter a torneira abrta. Toda a sua poupança foi “pelo cano abaixo” (passe a expressão) quando ao almoço comeu um bife. Segundo ela, um bife de 300 gramas corresponde a um gasto de água de cerca de 4650 litros! Gasto com a água ingerida pelo animal e com a produção das rações e pastos que o alimentaram.

Anestesiados …


Há mais de uma semana que não deixava umas linhas no meu blog. Hoje, na sala de espera do hospital, decidi aproveitar o tempo para escrever umas coisitas. Para descontrair …
Esta manhã, um jornal, em grandes parangonas, informava que nos dois primeiros meses do ano a dívida pública portuguesa aumentou mais de, se não estou em erro, 2 mil milhões de euros. Aqui há dias, a propósito dos encargos com as parcerias público-privadas – onde sobressaem os respeitantes às auto-estradas –, veio a público que o montante a pagar no corrente ano excede os 2 mil e cem milhões de euros. Há duas ou três semanas, relativamente à dívida das autarquias, alguém informava que a mesma não era de 6 mil milhões, mas sim de mais de 13 mil milhões de euros.
Tomei recentemente consciência de que os números que vão sendo atirados já nem me incomodam. Referem “milhares de milhões” e eu continuo pacificamente tranquilo, como se isso não implicasse da minha parte a obrigatoriedade de vir a comparticipar no esforço “coletivo” de pagamento dessas dívidas.
Analisando o meu próprio comportamento, julgo que a regularidade com que se fala de milhares de milhões – a propósito de dívidas do Estado – levou a que nos tornássemos relativamente anestesiados face à dimensão desses valores, sem consciência do que números de tal grandeza implicam para cada cidadão.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A crise não é para todos …


Costuma dizer-se que o Sol quando nasce é para todos. Com as crises, como a que vivemos, assim não acontece. A uns, a crise pura e simplesmente esmaga, quando perdem o emprego e, de modo particular, quando as prestações sociais deixam de contribuir para a minimização da perda de rendimento. A outros, que conseguiram preservar o emprego a troco de uma redução do rendimento, provoca abanões mais ou menos violentos, implica mudar de hábitos e cortar nas despesas, mesmo as mais inocentes e aparentemente justificáveis. Finalmente, para outros, a crise é apenas um folhetim que acompanham, mais ou menos em contínuo, pelos meios de comunicação social, mas que lhes passa ao lado. De tal modo ao lado, que o seu poder de compra até tende a aumentar, por via da redução do preço da generalidade dos bens. São aqueles que “passam pelo meio da chuva sem se molharem”.
Não é preciso ser muito atento à realidade que nos rodeia para se detetarem no espaço público cidadãos destas três categorias. Os primeiros, de faces carregadas e testa franzida, denotando as suas preocupações, percorrem os corredores das grandes superfícies devagar, olhando e tornando a olhar, para chegarem à caixa com uns poucos artigos de primeira necessidade, pagos com os trocos retirados do vazio porta-moedas. Os segundos, colocam na passadeira da caixa compras para vários dias, mas sobressaem nelas os rótulos de “cor branca”, a marca própria do estabelecimento. Os terceiros não são tão fáceis de detetar no supermercado, talvez porque se possam dar ao luxo de diversificar as suas compras por “boutiques” e lojas “gourmet”. São detetados, sobretudo, quando abrem a boca e falam em público das férias que fizeram na Páscoa, e dos projetos de férias grandes que afanosamente estão preparando. Países longínquos constam dessas conversas, decisões complicadas de tomar, como se deve ir à Finlândia ou, pelo contrário, passar um mês nos Estados Unidos, de onde o filho regressou recentemente.
Quanto a estes últimos, gostaria de ter a certeza que cumprem escrupulosamente os seus deveres sociais, de modo especial o pagamento dos impostos. Verificado este pressuposto central, sou de opinião que é salutar que façam despesa com o rendimento que têm. O pior que poderia acontecer era que se limitassem a entesourar esse rendimento, pois nesse caso contribuiriam para a verificação do denominado paradoxo da poupança: se todos poupassem a totalidade do respetivo rendimento a atividade económica pararia, por falta de consumo.
Porém, se a despesa contribui para a manutenção ou criação de postos de trabalho, isto é, para o crescimento económico, quando é efetuada no estrangeiro, ou implica importações, o respetivo impacto na economia nacional é reduzido ou nulo. Portanto, pouco ajudam à necessidades do país. Além disso, quando ostentam nos espaços públicos a sua favorável situação económica, incapazes de se comiserarem com o sofrimento daqueles que a crise esmaga, estão a mostrar, acima de tudo, que a estratégia a adoptar é “cada um por si”. A prática da solidariedade é deixada para o Estado, como se o sofrimento dos seus concidadãos – a “gentinha” – nada tivesse nada a ver com eles. E, no entanto, se outras razões mais fortes não existissem para estarem atentos aos mais atingidos, podiam, pelo menos, ter presente que são estes os que menos responsabilidades têm na formação e eclosão de crises económicas como a que se vive atualmente.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A meta


[na sala de espera]
Uma meta existe para ser cruzada. E existe para evitar que o sujeito continue a correr indefinidamente. E é a meta, a sua visão – mesmo quando de tão longínqua não passa ainda de uma miragem – que leva esse sujeito a encontrar as forças para prosseguir a “corrida” até a cruzar.
Pouco se fala da meta depois de ter sido cruzada. Centra-se a análise e o comentário no sujeito, muito em especial no que chegou à frente, o denominado vencedor. Esquece-se a importância da meta, enquanto referência para se continuar a “correr”. Porém, a vida sem metas para cruzar é difícil de imaginar.
A minha meta mais importante no último ano tem sido o “12”. O número mágico que eu sempre tenho tido em frente dos olhos, mesmo quando ainda estava muito longe. Cada passo a caminho do “12” foi uma pequena vitória, mesmo sendo apenas um passo intermédio a caminho desse objetivo principal. Pequena vitória que eu, com todo o gosto, riscava na lista dos passos percorridos e a percorrer. 
As forças por vezes escasseavam, o desconforto era enorme, mas para além do carinho e incentivo que usufruía de todos os que me acompanhavam na “corrida” – muito em especial da Lucinda, que está aqui comigo na “linha da meta”, para me ver cruzá-la –, era o “12”, a meta, que me dava alento.
O dia chegou. O dia de cruzar a meta, o dia de atingir o “12”. Hoje estou novamente na sala de espera do hospital, aguardando que me chamem … para cruzar a meta, isto é, para efetuar o “12”, o décimo segundo e último tratamento que me foi prescrito no (que me parece ser o) longínquo mês de Junho de 2011. Sinto-me eufórico, embora um pouquinho receoso por ainda não me terem chamado. Lá no fundo de mim mesmo existe sempre latente uma pontinha desse receio de não poder fazer o tratamento.
Ao cruzar “esta” meta, tenho plena consciência de que pode não ser a meta final, a “meta das metas”. Um doente crónico, como sou definido em termos médicos, aprende a viver com essa realidade. Talvez por isso, o ultrapassar de cada meta tem um sabor muito especial, o de que se foi capaz de ultrapassar mais um obstáculo. E, tal como uma guerra é sempre feita de muitas batalhas, também a vida de um doente é feita de muitas “metas” e de uma forte esperança que, no conjunto, a ultrapassagem de todas elas permitirá cruzar a “meta das metas”, como acima a apelidei, que dá acesso à saúde.
Hoje é, pois, um dia especial. O “12” está à vista, esperando por mim para ser ultrapassado. Dentro de dias o “12” será esquecido, como o é a meta depois de ter sido cruzada pelo desportista. Mas nem por isso deixará de ser um marco importante na minha vida, por ser mais uma batalha vencida.
[na sala de tratamento]
O tratamento está em curso. Eu murchei na minha euforia de cruzar o “12”.
Em termos desportivos diria que a meta foi movida para mais longe. Quase como nos meus tempos de juventude, em que se começava um jogo de futebol com a baliza num determinado local e, no decorrer do mesmo, por razões várias, ela ia sendo movida para local diferente, a ponto de antes de cada pontapé na bola ser imprescindível perceber onde estava a baliza.
Pois bem, hoje esqueci-me de confirmar onde estava realmente a “meta”. Quando, muito contente, disse à enfermeira que não precisava de se preocupar com a marcação do próximo tratamento, pois este seria o último, ela arrefeceu a minha euforia e disse-me que ainda faltavam dois. A explicação para tal é simples e não se tratou de um falseamento das regras do “jogo”. A determinada altura do processo a médica alterou o composto químico do tratamento (o protocolo, em linguagem médica) … e também o número de sessões. Falou-me da primeira alteração, não me lembro que me tenha falado da segunda.
Paciência. A vida é mesmo assim. Às vezes as “metas” são movidas. As expetativas são reajustadas e, seja o “12” ou o “14”, continua no horizonte. A mente, essa, mantém a contagem decrescente até que a “meta” seja ultrapassada.   

[em tempo]
Felizmente, a Lucinda não ficou preocupada com o facto da “meta” ser mais longe. Até parece ter ficado um pouquinho satisfeita. Concordo com ela. Mais dois tratamentos não me fazem mal e até podem fazer bem para o objetivo último que é ultrapassar a "meta das metas".