Lê-se na imprensa e não se acredita.
Caso 1: Em 2001 o Estado português adquiriu um conjunto
de helicópteros. Como na altura não havia fundos para os pagar, os responsáveis
do Ministério da Defesa à altura inventaram um complexo esquema de engenharia
financeira destinado a possibilitar a compra. Na prática, simplificando as
teias das intrincadas relações de sociedades envolvidas no caso, aquilo que
aconteceu foi os referidos equipamentos terem sido adquiridos em “locação
operacional”. Traduzido, significa terem sido alugados, contra pagamento de uma
renda à sociedade que efetivamente os adquiriu. Resultado: o custo efetivo dos
equipamentos verificou um desvio para mais, relativo ao preço original, de mais
de 50%, ou seja, qualquer coisa como mais 120 milhões de euros!
Como se tudo isto não bastasse para se pedirem
responsabilidades, vem agora o Tribunal de Contas alertar para o facto de se terem
vindo a pagar em duplicado faturas relativas à referida operação. Pura e
simplesmente, no meio de tanta engenharia financeira, não se assegurou que um
qualquer organismo tivesse ficado responsável pelo controlo das “contas”.
O Ministério da Defesa vai mandar fazer um
inquérito ao sucedido. Já sabemos o que significa isso: mais tempo e recursos desperdiçados,
pois nunca se apuram responsáveis e responsabilidades.