sexta-feira, 18 de maio de 2012

O dia perfeito …


[7:40 horas, à saída de casa]
Saí de casa, fechando a porta atrás de mim, em direção ao carro, estacionado do outro lado da rua. Não sei explicar o como ou o porquê, mas o facto é que fiquei extasiado. Parei e olhei à minha volta. Imperava o silêncio, o céu estava azul profundo e a luminosidade da manhã, antes de o Sol estar visível, emprestava ao ambiente uma tonalidade irreal. O verde de diferentes tonalidades nas árvores matizava o colorido do espaço. Respirei fundo e dei Graças a Deus pela vida e pelo usufruto dos sentidos que Ele me proporcionava. Sentia-me enlevado, bem comigo próprio e com o Mundo.
Abri a porta do carro, instalei-me, rodei a chave na ignição. O rádio estava ligado e começou a difundir música clássica: o concerto para piano e orquestra nº 23 de Mozart. A “cereja no topo do bolo”. Apetecia-me ter ficado ali parado, a escutar a música e a viver o momento. Não podia. Iniciei a viagem, mas contrariamente ao que faço habitualmente – em que desligo o rádio –, não o desliguei. Coloquei o som mais baixo e fui conduzindo, enquanto rezava as minhas orações matinais.

O painel …


A semana passada fui convidado para moderar um painel de peritos, num encontro sobre “economia paralela”. Para os menos familiarizados com o termo, significa a parte das transações económicas efetuadas num país (vendas de bens e serviços) que não são registadas. Para ser mais concreto, uma parte substancial dessa economia paralela resulta de algo que se ouve falar com frequência, as denominadas “vendas sem fatura”.
Na generalidade dos casos, como foi o presente, o papel do moderador é residual. Abre a sessão, com meia dúzia de palavras sobre o modo como ela será alinhada; apresenta cada um dos oradores; na fase da participação da audiência, vai gerindo as perguntas colocadas, distribuindo-as por cada orador; no final, encerra os trabalhos, com algumas palavras que sumariem as ideias principiais da sessão – mas que não podem ser muitas, já que a audiência se começa a movimentar com vista a preparar a saída.