[7:40 horas, à saída de
casa]
Saí
de casa, fechando a porta atrás de mim, em direção ao carro, estacionado do
outro lado da rua. Não sei explicar o como ou o porquê, mas o facto é que
fiquei extasiado. Parei e olhei à minha volta. Imperava o silêncio, o céu
estava azul profundo e a luminosidade da manhã, antes de o Sol estar visível,
emprestava ao ambiente uma tonalidade irreal. O verde de diferentes tonalidades
nas árvores matizava o colorido do espaço. Respirei fundo e dei Graças a Deus
pela vida e pelo usufruto dos sentidos que Ele me proporcionava. Sentia-me
enlevado, bem comigo próprio e com o Mundo.
Abri
a porta do carro, instalei-me, rodei a chave na ignição. O rádio estava ligado
e começou a difundir música clássica: o concerto para piano e orquestra nº 23
de Mozart. A “cereja no topo do bolo”. Apetecia-me ter ficado ali parado, a
escutar a música e a viver o momento. Não podia. Iniciei a viagem, mas
contrariamente ao que faço habitualmente – em que desligo o rádio –, não o
desliguei. Coloquei o som mais baixo e fui conduzindo, enquanto rezava as
minhas orações matinais.