Por
questões profissionais, há dias participei num jantar de negócios. Um daqueles
encontros agradáveis, descontraídos, num restaurante bonito que, além de outros
predicados, tinha o aliciante de proporcionar boa comida.
Os
restantes convivas, pessoas simpáticas e bem-falantes, denotavam traquejo de
participação em muitos encontros sociais semelhantes. Isso era facilmente percetível
pelo modo como cada um contribuía para a conversa sem, no entanto, a monopolizar;
como cada um, qual ator ensaiado, assegurava que a conversa não esmorecia,
alimentando-a, esticando o assunto umas vezes, outras introduzindo-lhe subtis
mudanças de rumo.
Neste
ambiente deveras agradável a nota menos positiva, para alguém com o meu orçamento
mensal, foi pensar no preço da refeição. Sem ser uma refeição de exageros, uma
pequena entrada, o prato principal, a sobremesa e um pouco de vinho – uma
garrafa para seis – rondou os 50 euros por pessoa. Um montante que, confesso,
não é irrelevante no meu orçamento. É, em termos médios, o montante mensal que
me permito gastar em atividades sociais e ou de lazer.
Face
a este nível de preços e ao facto de se tratar de uma quinta-feira, esperava
outra afluência ao restaurante. Porém, durante as mais de duas horas que a
refeição durou ele esteve sempre completamente cheio. Cedo me convenci que
aquela situação que então vivia era mais uma evidência de que os efeitos da
crise são assimétricos, esmagando os financeiramente mais débeis, passando ao
lado dos restantes.