Há mais de uma semana que não deixava
umas linhas no meu blog. Hoje, na
sala de espera do hospital, decidi aproveitar o tempo para escrever umas
coisitas. Para descontrair …
Esta manhã, um jornal, em grandes
parangonas, informava que nos dois primeiros meses do ano a dívida pública
portuguesa aumentou mais de, se não estou em erro, 2 mil milhões de euros. Aqui
há dias, a propósito dos encargos com as parcerias público-privadas – onde
sobressaem os respeitantes às auto-estradas –, veio a público que o montante a
pagar no corrente ano excede os 2 mil e cem milhões de euros. Há duas ou três
semanas, relativamente à dívida das autarquias, alguém informava que a mesma
não era de 6 mil milhões, mas sim de mais de 13 mil milhões de euros.
Tomei recentemente consciência de que os
números que vão sendo atirados já nem me incomodam. Referem “milhares de
milhões” e eu continuo pacificamente tranquilo, como se isso não implicasse da
minha parte a obrigatoriedade de vir a comparticipar no esforço “coletivo” de
pagamento dessas dívidas.
Analisando o meu próprio comportamento,
julgo que a regularidade com que se fala de milhares de milhões – a propósito
de dívidas do Estado – levou a que nos tornássemos relativamente anestesiados
face à dimensão desses valores, sem consciência do que números de tal grandeza
implicam para cada cidadão.
Veja-se uma conta muito simples. Somos
cerca de 10 milhões de portugueses (habitantes). Uma dívida de mil milhões de
euros corresponde, portanto, a 100 euros por habitante. Refinando um pouco as
contas, e assumindo que só cerca de metade da população paga algum tipo de
imposto, então a parcela a distribuir (pagar!) por cada um aumenta para o
dobro, ou seja 200 euros.
Por exemplo, a notícia desta manhã sobre
o aumento da dívida implicará, para cada contribuinte, cerca de 400 euros de
responsabilidade adicional. O “buraco” do BPN, a ser de 5 mil milhões, implica
uns “meros” 1000 euros de impostos adicionais de cada cidadão.
Uf! Colocadas as verbas deste modo, em
números pequeninos, a coisa assusta. Arrepia! É caso para dizer que quem vive
vidas contadas em euros – como a minha – não percebe o que são “milhares de
milhões de euros”.
Quando transformadas estas absurdas
grandezas monetárias em “números pequenos”, tomo consciência do quão
incongruente é a minha vida de cidadão português. No dia-a-dia esforço-me para
poupar cêntimos, no sentido de manter o equilíbrio do orçamento mensal. Ao
mesmo tempo, o Estado encarrega-se de continuamente me despejar em cima, de
cada vez, centenas de euros de dívidas que espera eu pague.
Pergunto-me se valerá mesmo a pena
preocupar-me em manter um orçamento equilibrado, quando à minha volta tudo
parece estar desequilibrado.
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