O
tema do seminário era a discussão das perspetivas de evolução futura da
economia portuguesa. Dois oradores. O primeiro, apresentando dados
macroeconómicos relativos à evolução recente e tendências de evolução futura
das exportações portuguesas. O segundo, administrador de uma empresa portuguesa
dedicada ao fabrico e comercialização de azeite e óleo alimentar – a Sovena –,
descrevendo as principais etapas do respetivo processo de internacionalização.
Centro-me
nesta última apresentação. O referido senhor, a determinada altura, a propósito
do azeite, referia o facto da sua empresa ao longo dos anos ter vindo a fazer
vultuosos investimentos.
"A nossa atividade, que é verticalizada,
abrange desde a produção da azeitona à comercialização do azeite e é totalmente
automatizada." – referiu. Com mais detalhe, explicou que a plantação das
oliveiras em imensos olivais é mecanizada; a rega das oliveiras é automatizada,
sendo controlada a partir do Alentejo, não só para os olivais que têm nessa
região, mas também para os que têm em Espanha e em Marrocos; a recolha da
azeitona é mecânica, e é automatizado o processo fabril inerente ao fabrico e o
engarrafamento.
Em
virtude disso, uma empresa verticalizada como esta, que tem uma quota superior
a 6% do mercado mundial de azeite, não emprega no conjunto, nos diversos países
onde está implantada, mais de 1000 pessoas.
Algumas
consequências genéricas inerentes a este crescendo de eficiência. Pela
positiva, as empresas têm condições para pagar salários mais elevados às
pessoas que empregam; produzem e vendem a preço mais baixo, com vantagem para o
consumidor; são mais eficientes no consumo de recursos (energia, água,
trabalho). Pela negativa, há muitos milhares de postos de trabalho que são
destruídos ou deixam de ser criados.
[Pense-se, apenas, no número de pessoas e
dias de trabalho que seriam necessárias para, manualmente, como em tempos idos,
apanhar a azeitona num olival com três ou quatro mil hectares. Hoje, uma
máquina e o respetivo operador fazem esse trabalho em menos tempo e em melhores
condições.]
As
teorias económicas ditas clássicas sugerem que as pessoas que são dispensadas
por uma atividade que se torna produtivamente mais eficiente seriam empregues
em novas atividades produtivas. Infelizmente, os números crescentes do
desemprego por todo o mundo parecem colocar em causa tais teorias. As novas
atividades não parecem ser capazes de gerarem os empregos necessários à
absorção daqueles que são destruídos no âmbito da reorganização produtiva em
outras atividades.
Neste
contexto, em que a mecanização e automação das atividades são um processo
impossível de parar e, por consequência, o desemprego continuará a crescer,
mais tarde ou mais cedo as sociedades vão ter de discutir eventuais soluções
para o problema. Distribuir o emprego existente em cada momento pelas pessoas
disponíveis para trabalhar? Pagar uma remuneração às pessoas que não encontram
emprego, de um modo permanente (e não temporariamente como agora acontece
através do “subsídio de desemprego”)?
Pela
pressão social que crescentemente o desemprego vem trazendo às sociedades, o “não
fazer nada” não se afigura como solução futura possível. A grande dificuldade
em se optar por uma das duas soluções referidas é que, qualquer delas,
implicará uma redução do nível de vida médio das pessoas. Hoje, tal nível, para
quem está empregado, mesmo que possa ser considerado baixo, encontra uma boa
parte da sua sustentação no facto de uma parte da população estar desempregada.
Decisão difícil, sem
dúvida.
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