segunda-feira, 10 de setembro de 2012

À descoberta do país: uma época que tarda em voltar a Vidago


No caminho para Vila Pouca de Aguiar, à saída de Cerva, aparece lá em baixo, num pequeno vale profundo, a aldeia de Cabriz, cujo núcleo é composto por um conjunto de grandes casas de granito que parecem remontar a meados do século VXIII. Casas que deixam antever terem sido pertença de famílias ricas. Uma pergunta cruza a mente: como é que uma localidade tão pequena, com pouca terra agrícola disponível, tinha condições para albergar no seu seio tantas casas grandes e ricas? Seria o pastoreio a explicação? Ficou a vontade de pesquisar mais tarde a resposta para estas perguntas. 

A parte urbana de Vila Pouca de Aguiar é muito agradável. Um núcleo estruturado em torno da parte mais antiga, numa simbiose pensada e executada para agradar ao visitante. Foi uma primeira visita, mas permitiu constatar que por lá havia noutros tempos passado o comboio. Não que os carris de ferro fossem prova disso, pois não existem, mas a estação de ontem estava lá a atestar esse passado, bem preservada e transformada em centro cultural. O comboio, que existiu e hoje não existe. Um passado que é olhado, por alguns, como condicionante (negativa) do presente.  
Na visita a Vigado, que se seguiu, a realidade que é a ausência do comboio foi ainda mais evidente – e voltaria a sê-lo nos dias seguintes, em Vila Real –, pois ainda se viam bocados de linha férrea e a estação, fechada, denotava o passar dos anos sem utilização. Em Vidago, para o visitante que aborda a localidade pelo sul, ido de Vila Pouca, a estação devia ser olhada como uma espécie de “metáfora tangível” da atual situação desta terra, outrora próspera e vivendo do turismo termal. Encontra-se decadente, no seu modo de vida – o turismo termal – e nos seus espaços: hotéis e mais (grandes) hotéis decrépitos, encerrados, tristes.

Só brilha o Palace Hotel, recuperado, com as suas cores vivas, o parque frondoso bem tratado, as fontes termais, o campo de golfe. Atrai um conjunto restrito de clientes, endinheirados, que, quase sem exceção, nem sequer na vila param. Muito pouco para uma terra que noutros tempos acolhia multidões. Dizia a funcionária do posto de turismo, falando do pesadelo que se abateu sobre a terra, que então, nesse passado cada vez mais longínquo, vinham famílias inteiras no comboio passar quinze ou vinte dias nas termas. Agora não há nada disso. A única esperança, disse, é o balneário termal que se pensa construir, num prazo de três anos, na velha estação de comboio. É a única esperança de dar vida à vila. Oxalá o consigam, se bem que os hábitos e comportamentos das famílias tenham entretanto mudado muito. A estação, para já, permanece de pé, sem ser ponto de chegada, nem de partida, mas apenas um sinal de esperança num futuro melhor.

A viagem para Vila Real, via Carrazeda de Montenegro (Valpaços), implicou subir e descer serras, numa estrada sinuosa estendida pelo meio de pomares e matas de castanheiros. Todo o terreno aproveitado, numa manta multicolor tecida de plantações. 

Um hotel acolhedor, encavalitado na escarpa do Rio Corgo – o Miracorgo –, esperava, acolhedor, em Vila Real. Um mergulho e umas braçadas na sua piscina, antes de um jantar numa esplanada do centro da cidade. Saiu gorada a expetativa de um bom repasto. Mau serviço, má qualidade, um restaurante para não visitar de novo. 

A noite terminou no bar do hotel, diante de um Baileys. A televisão com o som muito alto, a difundir as últimas sobre o futebol. Foi pena, pois o espaço físico bem decorado e confortável merecia outro tratamento do som ambiente. 

O dia seguinte esperava-se pesado, com caminhadas no parque natural da Serra do Alvão.

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