Há
minutos a rádio noticiava que a agência de notação Fitch tinha cortado o “rating”
de Espanha – uma medida da capacidade deste país solver os seus compromissos –
em três níveis de uma só vez. É preocupante a notícia. Refiro duas razões.
Primeira,
um corte desta dimensão indicia uma alteração muito substancial num curto prazo
das condições inerentes à economia espanhola. Se bem que a Espanha já há muito não
estivesse na “crista da onda” em termos das boas graças dos mercados, as
últimas semanas neste domínio têm sido devastadoras. No centro, a má situação
de parte dos bancos espanhóis, a necessitarem urgentemente de injeções astronómicas
de dinheiro para evitarem a falência. Se é comumente aceite que os responsáveis
do recentemente empossado governo espanhol não têm sido eficazes ao nível da
gestão mediática dos problemas que o país atravessa, demonstrando uma enorme
inabilidade – com constantes “tiros nos pés” –, o facto é que até o cidadão
comum vai tomando consciência a cada dia que passa da muito difícil situação do
sistema bancário espanhol, bem pior do que se poderia pensar.
Segunda
razão, a desconfiança que se gera nos mercados quando não se usa de
transparência no tratamento e diagnóstico dos problemas. Há menos de um ano, exitiu
uma segunda leva de “testes de stress” patrocinados pelo Banco Central Europeu
e a Comissão Europeia, mais exigentes do que os anteriores e destinada a erradicar
de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse existir sobre a
sustentabilidade dos sistemas financeiros nacionais. O veredicto não podia ter
sido mais favorável: tudo está bem, os bancos estão saudáveis e, por isso,
neste domínio não há problemas. É o que se vê.
Uma
pergunta surge naturalmente: se em Espanha a situação é a que a Fitch agora
penaliza, o que não poderá existir escondido em outros países?
Não
tenho informação para responder com um mínimo de fidedignidade a esta pergunta.
Mas temo pelo pior. A julgar pelo comportamento dos espanhóis, que nas últimas
semanas despacharam para o estrangeiro dinheiro em montantes astronómicos, a
confiança nos sistemas bancários está em queda rápida. Se pensarmos que estes
sistemas se alicerçam exatamente na confiança - a “fidúcia” –, a situação é de
molde a que até o cidadão mais descomprometido deixe de dormir descansado. Se
os sistemas colapsarem as economias terão idêntico desfecho.
Para
já, mesmo que não se venha a chegar a um ponto de não retorno, com a perda
total da confiança nesses sistemas, a atual crise em Espanha não deixará de
provocar ondas em Portugal. Quando se é considerado um dos elos mais fracos da
cadeia, até uma ligeira brisa provoca os efeitos de uma tempestade. E, sejamos
honestos, o que está a ocorrer em Espanha não é uma ligeira brisa … mas um
furacão.
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