quinta-feira, 7 de junho de 2012

A banca em Espanha …


Há minutos a rádio noticiava que a agência de notação Fitch tinha cortado o “rating” de Espanha – uma medida da capacidade deste país solver os seus compromissos – em três níveis de uma só vez. É preocupante a notícia. Refiro duas razões.

Primeira, um corte desta dimensão indicia uma alteração muito substancial num curto prazo das condições inerentes à economia espanhola. Se bem que a Espanha já há muito não estivesse na “crista da onda” em termos das boas graças dos mercados, as últimas semanas neste domínio têm sido devastadoras. No centro, a má situação de parte dos bancos espanhóis, a necessitarem urgentemente de injeções astronómicas de dinheiro para evitarem a falência. Se é comumente aceite que os responsáveis do recentemente empossado governo espanhol não têm sido eficazes ao nível da gestão mediática dos problemas que o país atravessa, demonstrando uma enorme inabilidade – com constantes “tiros nos pés” –, o facto é que até o cidadão comum vai tomando consciência a cada dia que passa da muito difícil situação do sistema bancário espanhol, bem pior do que se poderia pensar.


Segunda razão, a desconfiança que se gera nos mercados quando não se usa de transparência no tratamento e diagnóstico dos problemas. Há menos de um ano, exitiu uma segunda leva de “testes de stress” patrocinados pelo Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, mais exigentes do que os anteriores e destinada a erradicar de uma vez por todas qualquer dúvida que ainda pudesse existir sobre a sustentabilidade dos sistemas financeiros nacionais. O veredicto não podia ter sido mais favorável: tudo está bem, os bancos estão saudáveis e, por isso, neste domínio não há problemas. É o que se vê.

Uma pergunta surge naturalmente: se em Espanha a situação é a que a Fitch agora penaliza, o que não poderá existir escondido em outros países?

Não tenho informação para responder com um mínimo de fidedignidade a esta pergunta. Mas temo pelo pior. A julgar pelo comportamento dos espanhóis, que nas últimas semanas despacharam para o estrangeiro dinheiro em montantes astronómicos, a confiança nos sistemas bancários está em queda rápida. Se pensarmos que estes sistemas se alicerçam exatamente na confiança - a “fidúcia” –, a situação é de molde a que até o cidadão mais descomprometido deixe de dormir descansado. Se os sistemas colapsarem as economias terão idêntico desfecho.

Para já, mesmo que não se venha a chegar a um ponto de não retorno, com a perda total da confiança nesses sistemas, a atual crise em Espanha não deixará de provocar ondas em Portugal. Quando se é considerado um dos elos mais fracos da cadeia, até uma ligeira brisa provoca os efeitos de uma tempestade. E, sejamos honestos, o que está a ocorrer em Espanha não é uma ligeira brisa … mas um furacão.

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