segunda-feira, 19 de março de 2012

Estamos todos às escuras!

Esta semana houve quatro situações que considerei merecerem uma nota neste blog.
  1. Em primeiro lugar, a baixa no Governo: a saída do Secretário de Estado da Energia. Discutem-se as razões. Para uns foi inábil nas negociações com a EDP, para outros o Governo tirou-lhe o tapete debaixo dos pés. Porém, aquilo que eu acho mais relevante na sua saída foi o ter-se discutido o “mundo” das PPP e das rendas da energia. É assustador o panorama: se consumimos energia, pagamos; se não consumimos, pagamos na mesma (via impostos e as ditas rendas). O mesmo nas estradas e nas PPP: se transitamos, pagamos; se não transitamos, pagamos na mesma. É assustador, repito. Como foi possível ter-se chegado a este ponto? E, não menos assustador, é que apesar do elevado custo que pagamos pela energia ainda há um défice tarifário que é atirado para o futuro e que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de ser pago: milhares de milhões de euros! É de loucos!!!
  1. Em segundo, a “chicana política” na AR, a propósito do caso BPN. Teve a presidente de ameaçar demitir-se para conseguir um mínimo de bom-senso nos partidos do centro, PS vs PSD/PP, que acordaram fazer apenas uma comissão de investigação ao caso BPN. E andamos nós a pagar a pessoas que apenas cuidam dos seus próprios interesses. Neste caso concreto, concluímos sem margem para dúvida que essas pessoas/grupos não têm o minimo interesse em saber exatamente o que aconteceu no BPN e porque é que os contribuintes têm de pagar milhares de milhões de euros para resolver a embrulhada. É vergonhoso! Simplesmente, vergonhoso!!!
  1. A Parque Escolar tinha orçamento para recuperar 320 escolas. Gastou o dinheiro a recuperar sensivelmente metade. Parece impossível como ninguém, a começar pela instituição, controlou os custos. Foi “gastar à tripa forra”. Responsáveis? Ninguém. Paga Zé! E como se não bastasse este descalabro, ainda vem a senhora ex-ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defender essa instituição enaltecendo o facto de ter feito mais obra do que qualquer outra instituição antes! Os valores andam todos virados. Só pode ser. Então não é suposto que uma instituição pública faça a obra que está mandatada para fazer, dentro dos prazos e orçamentos? Porquê “agradecimentos”, ainda por cima quando ela não cumpriu o seu papel? Triste é constatar que a dita ministra não teve uma palavra que fosse a propósito dos mil e tal milhões de euros que foram gastos a mais. Porra, a “ordem pode ser rica e os frades serem poucos”, mas há um limite para tudo. Tenha um pingo de vergonha na cara, minha senhora.
  1. O emprego tornou-se um bem escasso, por muito que isso nos custe. Porém, os nossos políticos empurram o problema com a barriga, ninguém se atreve a dar a má notícia ao Zé Pagode. O sintoma mais evidente de todos, a propósito dessa escassez e do que significam empregos, é o facto de as virtualidades de qualquer projeto que hoje seja concretizado se reduzirem ao número de postos de trabalho criados. Um exemplo: uma brigada qualquer da Nato vem ocupar umas instalações militares em Oeiras. A rádio deixou nas entrelinhas uma nota sobre a importância dessa ocupação, anunciando que vai permitir criar 100 postos de trabalho. Veja-se ao que chegamos: salientar a criação de um punhado de postos de trabalho num país onde cerca de um milhão de pessoas está desempregado. Uf! A coisa está mesma má.
  1. Como eu anseio por uma ou outra boa notícia que preencha o espaço noticioso semanal …

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