Há dias assim. Estamos aborrecidos, não sabemos exatamente com quê, mas sentimo-nos aborrecidos. E quando assim acontece, procuramos alguma coisa de diferente para fazer. Bem, pelo menos comigo assim acontece. E pronto, desta vez aconteceu que eu me lembrei de abrir um blog. Não sabia muito bem como a "coisa" funcionava. O facto é que ainda não sei. Adiante.
O primeiro problema que tive que ultrapassar foi o de dar um nome ao blog. Tarefa simples, parecia. Mas não foi. Encalhei nitidamente. Chamo-lhe isto? Chamo-lhe aquilo? Pensa, torna a pensar ... Felizmente o software foi "paciente" e não fechou ao fim de uns minutos como eu receava. Não. Esperou até que eu tivesse escrito "Um Olhar Partilhado". O nome do meu primeiro blog.
Incrível como eu esperei até tão tarde para abrir uma "coisa" destas. Sinto-me quase como se deve sentir o pai que, de repente, recebe nos braços o seu primeiro filho, isto é, como alguém que não sabe que fazer à "coisa". Ainda ontem, depois de ter enviado um e-mail para o outro lado do mundo e ao fim de menos de um minuto ter uma resposta de volta, eu pensava como a técnica ao nosso dispor é espantosa. O que nós conseguimos, quase sem esforço, num piscar de olhos. E, no entanto, com toda a tecnologia ao dispor, eu nunca tinha pensado em abrir um blog onde fosse, mais ou menos regularmente, deixando umas notas de reflexão sobre a realidade que me rodeia.
[Ah! Já me esquecia. Eu estava a procurar justificar o nome do blog. Pois bem, como ele irá refletir o meu olhar sobre o mundo e, como é partilhado com quem o quiser visitar (até porque ainda não descobri se é possível, pelo menos até eu ter tempo de afinar a "coisa", escondê-lo do público), julguei que "um olhar partilhado" poderia ser o título que não enganará o visitante que por aqui passe.]
Lembrei-me agora o que me causou aborrecimento. A notícia sobre a TAP e a benesse que os seus funcionários conseguiram do Governo deste país. O que me aborreceu mais até não foi a benesse em si, mas o que ela representou para mim: o fim da inocência. Sim, da inocência de pensar que o sufoco por que estamos a passar - a denominada "crise" - era para ser partilhado por todos. Mas conclui que não é (sim, confesso, demorei tempo a tirar esta conclusão). Basta termos o poder de fazer uma greve que afete muita gente e está assegurado que o sol passará a brilhar mais intensamente do nosso lado. A juntar à revolta que se sente vem o tipo de desculpas do Governo para tal decisão. Dissesse ele "É assim porque nós queremos!" e eu não teria ficado mais furioso (no verdadeiro sentido) do que quando diz que é assim porque a TAP é uma empresa que funciona num mercado concorrencial. Estão a gozar comigo. Se a TAP funcionasse segundo as leis do mercado há muito que teria sido encerrada. Será atuar segundo as regras do mercado quando os prejuízos de uma empresa têm a almofada do Governo - os nossos impostos - para os acolher? Quando os desvarios que foram cometidos ao longo dos anos na sua gestão serão, agora, na altura da privatização, reparados com um chorudo cheque do Governo. Não gozem connosco. Ademais, se para os funcionários públicos os cortes foram justificados porque ganhavam acima da média e não corriam o risco de ser despedidos, o que dizer dos funcionários da TAP? Pronto, vou parar, pois estas coisas deixam-me mesmo fora de mim. Tanta inconsistência na atuação governamental, que levam ao hipotecar do espírito de sacrifício de pessoas que acreditavam que desta vez as coisas iam ser diferentes e os custos da crise seriam distribuídos por todos. Paciência, não há volta a dar. Lá diz o Povo que o que torto nasce tarde ou nunca se endireita. O Povo tem razão.
Bem vindo ao meu blog, onde encontrará um olhar partilhado.
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