domingo, 8 de abril de 2012

Acudam-nos! Livrem-nos dos porcos …


No sábado fomos jantar a casa de uma colega. Foi bom. Ambiente agradável, comida boa, conversa amena. Perfeito, para umas horas de descontração. A determinada altura, no meio da conversa, veio a lume o considerada “insuficiente” cuidado dos franceses com a limpeza pessoal e dos seus espaços privados. Na altura, lembrei-me também do caso dos ingleses, que parecem afinar pelo mesmo diapasão. Pelo menos para mim, quando com eles convivi de modo mais intenso e usufrui da respetiva hospitalidade, sempre me fez um pouco de confusão o respetivo desprendimento para com as questões da higiene (modo simpático de dizer que me pareciam sujos).
Na segunda-feira, cedo pela manhã, tive de viajar de comboio, rumo a Caminha. Cada vez gosto mais de usar o transporte público e, de modo particular, o comboio. Para além, claro, da questão de (menor) custo que lhe está associada e que, na atual conjuntura, não é despicienda. Portanto, com os campos ainda cobertos pelo orvalho da manhã, onde o Sol incidia criando reflexos de pérolas, recostei-me na confortável poltrona, e pese o menos agradável cheiro a gasóleo libertado pela locomotiva, preparei-me para uma agradável viagem.
Infelizmente, não foi tão agradável como isso. Duas razões explicam que o prazer da viagem não tenha sido o desejável. Primeiro, o caos arquitetónico que me foi dado ver. Não se tratou apenas de uma mera questão de gosto pessoal, mas sim de situações de uma fealdade atroz que povoa uma paisagem natural que seria agradável, a que se junta a falta de manutenção das construções implantadas no meio do verde dos campos e ou dos pinhais. As construções nas bermas da linha causavam arrepios, tão feias eram. Aliás, aquilo que me pareceu era que os proprietários se preocupam essencialmente com a frente das suas propriedades, desmazelando os “fundos” das mesmas, a parte virada para a linha, que são sujos e feios.
Segundo motivo, mas muito estreitamente ligado ao primeiro, o lixo atirado para a berma da linha que, em determinados zonas, principalmente junto de estradas que cruzavam a via-férrea, eram autênticas lixeiras a céu aberto. Horrível, mesmo para mim que habitualmente não me perco com os detalhes e prefiro olhar para o longe e procurar abarcar o belo da paisagem na linha do horizonte.
Não pude evitar voltar a reviver a conversa durante o jantar de sábado e a opinião que formulámos dos franceses (e ingleses). Com pena minha, tive de concluir que se estes povos não prezam pelo asseio e limpeza no interior das suas casas, ou mesmo na sua higiene pessoal, são de extremo asseio no domínio público. Nós, os portugueses, tendemos a apresentar comportamentos diametralmente opostos. No domínio privado somos exímios na limpeza e asseio; no domínio público, somos o terror. Tudo o que nos estorva em casa, tende a ser lançado no espaço público, sem cuidarmos de que este não nos pertence integralmente, mas tem de ser partilhado com todos os restantes. Apesar dos investimentos efetuados na recolha de lixos, que nalgumas localidades, chega a ser personalizado, no sentido de que as autarquias respondem objetivamente às necessidades dos cidadãos e a pedido destes, as mentalidades tendem não mudar. Fora dos muros dos nossos “castelos” todo o terreno é propício para alijarmos a porcaria que fazemos, atropelando sem dó nem piedade os direitos dos nossos concidadãos.
Que vergonha!   

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