quinta-feira, 7 de junho de 2012

A banca em Espanha …


Há minutos a rádio noticiava que a agência de notação Fitch tinha cortado o “rating” de Espanha – uma medida da capacidade deste país solver os seus compromissos – em três níveis de uma só vez. É preocupante a notícia. Refiro duas razões.

Primeira, um corte desta dimensão indicia uma alteração muito substancial num curto prazo das condições inerentes à economia espanhola. Se bem que a Espanha já há muito não estivesse na “crista da onda” em termos das boas graças dos mercados, as últimas semanas neste domínio têm sido devastadoras. No centro, a má situação de parte dos bancos espanhóis, a necessitarem urgentemente de injeções astronómicas de dinheiro para evitarem a falência. Se é comumente aceite que os responsáveis do recentemente empossado governo espanhol não têm sido eficazes ao nível da gestão mediática dos problemas que o país atravessa, demonstrando uma enorme inabilidade – com constantes “tiros nos pés” –, o facto é que até o cidadão comum vai tomando consciência a cada dia que passa da muito difícil situação do sistema bancário espanhol, bem pior do que se poderia pensar.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O aluno …


Imagine o leitor uma turma com cerca de cinquenta alunos, onde a maioria está desmotivada para o estudo (qualquer que este seja). Por mais que o professor faça, nas aulas e fora delas, a desmotivação dos alunos é uma constante. Se, por acaso, uma qualquer novidade quebra por breves momentos a sua apatia, logo esta está de volta. Às vezes imagino que mesmo que o teto da sala começasse a desabar, os alunos não se mexeriam. (Estou a ser exagerado.) 

Mas eis que um dia – há algumas semanas –, quando entrei na sala de aula, constatei que havia um aluno novo. Pode parecer estranho que disso me tenha apercebido, no meio de quase meia centena de estudantes, em particular num contexto em que a turma tem uma composição variável no tempo. Não tivesse eu notado a existência de um novo aluno e rapidamente me teria confrontado com tal situação, pois ele veio ter comigo, apresentou-se, pediu desculpa por desde o início do semestre ainda não ter vindo às aulas e justificou a ausência com o ter estado adoentado.

A aula começou e, quase de imediato, apercebi-me que o referido aluno estava super-motivado, intervindo continuamente, com achegas sobre os assuntos em discussão e não só. Sempre que eu projetava um “slide” ou escrevia algo no quadro negro, a sua intervenção não se fazia esperar.

Pensará o leitor que este era o milagre de que eu estava à espera para que a turma se motivasse. Não me parece. Já explicarei porquê. Antes, deixe-me dizer porque detetei a presença do novo aluno mal entrei na sala.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Conduzir em (in)segurança …


No jornal Público Online de hoje li a seguinte notícia (reproduzo extrato):
“Utilizar telemóvel no carro resulta em sete multas por hora
Quando o condutor atende uma chamada telefónica ou escreve uma mensagem está a desviar o olhar da estrada. O uso incorrecto do telemóvel ao volante está a dar origem a sete multas por hora. … no primeiro trimestre deste ano, houve uma média de 163 contra-ordenações por dia, sete por hora. Ao todo, somaram-se 14.649 autos. Se assim continuar, este ano haverá mais registos do que no ano passado, altura em que se verificaram 57.905. … A multa para este tipo de infracção tem o valor mínimo de 120 euros mas pode chegar ao máximo de 600. Ao contrário do que muitos condutores acreditam, não é por se estar parado no semáforo, à espera que o sinal passe para verde, que não se pode ser multado. Os semáforos fazem parte do percurso. Por isso, a alternativa para falar ao telefone ou enviar mensagens é estacionar o carro.”
Sorri. Duas razões explicam esta minha reação.
Primeira, porque pensei que estes números não mostram mais do que a ponta do “iceberg”. São tantos os condutores que vemos ao telemóvel enquanto conduzem, que estes “apanhados” são apenas uma pequena amostra … aqueles que tiveram "azar".
Segunda, porque me trouxe à mente uma cena que tinha presenciado um par de horas antes. De manhã cedo, no trajeto para o emprego e num troço da auto-estrada particularmente difícil pelo grande fluxo de trânsito e pelas manobras perigosas que aí ocorrem – a confluência da A4 com a A3 –, uma viatura seguia à minha frente em marcha “moderada” (cerca de 70 km hora), em longos ziguezagues, dentro da faixa em que se deslocava, por vezes chegando a entrar na faixa adjacente. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A reeleição dos autarcas …


Fui convidado para fazer parte do comité científico de um congresso na área da Contabilidade, que decorrerá em Setembro, em Ofir. O efeito mais imediato deste tipo de convites, quando aceite, é recebermos um conjunto de potenciais comunicações ao congresso, para efeitos de avaliação. O objetivo desta tarefa é selecionar, para apresentação, comunicações que proponham algo de inovador e sejam bem elaboradas.
 
Dos cinco trabalhos que me couberam, todos na área da Contabilidade Pública, quatro podem ser considerados como “eventualmente apresentáveis”, embora se situem, em termos de qualidade, na metade inferior da tabela. Por outras palavras, trata-se de trabalhos a pender para o fraco. Uns porque não propõem nada de novo; outros porque apresentam lacunas metodológico-científicas.

Quando eu já desesperava face à fraca qualidade do lote que me coubera avaliar, eis que o quinto, e último, apareceu como uma “lufada de ar fresco” para aliviar o meu desconforto. 


sábado, 26 de maio de 2012

O Facebook de que não gosto …


Começo por dizer que tenho uma conta no Facebook. Confesso, porém, que nem sei bem por que a mantenho. Há cerca de dois anos tive de a abrir por razões profissionais, para aí colocar e partilhar um pequeno texto de minha autoria. Desde então, passam-se meses sem a abrir, apesar dos constantes lembretes que recebo sobre os pedidos de amizade que esperam por resposta. Ontem, por exemplo, fui lá e “despachei” o expediente, num rápido. Tenho de confessar, também, que não conheço bem as funcionalidades da aplicação e que fico surpreso sempre que ouço pessoas dizerem que a visitam dezenas de vezes ao dia, aí colocando todas as suas vidas. Fico com a sensação - exagerada, certamente - de que para tais pessoas o Facebook é quase tão importante como o ar que respiram.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O dia perfeito …


[7:40 horas, à saída de casa]
Saí de casa, fechando a porta atrás de mim, em direção ao carro, estacionado do outro lado da rua. Não sei explicar o como ou o porquê, mas o facto é que fiquei extasiado. Parei e olhei à minha volta. Imperava o silêncio, o céu estava azul profundo e a luminosidade da manhã, antes de o Sol estar visível, emprestava ao ambiente uma tonalidade irreal. O verde de diferentes tonalidades nas árvores matizava o colorido do espaço. Respirei fundo e dei Graças a Deus pela vida e pelo usufruto dos sentidos que Ele me proporcionava. Sentia-me enlevado, bem comigo próprio e com o Mundo.
Abri a porta do carro, instalei-me, rodei a chave na ignição. O rádio estava ligado e começou a difundir música clássica: o concerto para piano e orquestra nº 23 de Mozart. A “cereja no topo do bolo”. Apetecia-me ter ficado ali parado, a escutar a música e a viver o momento. Não podia. Iniciei a viagem, mas contrariamente ao que faço habitualmente – em que desligo o rádio –, não o desliguei. Coloquei o som mais baixo e fui conduzindo, enquanto rezava as minhas orações matinais.

O painel …


A semana passada fui convidado para moderar um painel de peritos, num encontro sobre “economia paralela”. Para os menos familiarizados com o termo, significa a parte das transações económicas efetuadas num país (vendas de bens e serviços) que não são registadas. Para ser mais concreto, uma parte substancial dessa economia paralela resulta de algo que se ouve falar com frequência, as denominadas “vendas sem fatura”.
Na generalidade dos casos, como foi o presente, o papel do moderador é residual. Abre a sessão, com meia dúzia de palavras sobre o modo como ela será alinhada; apresenta cada um dos oradores; na fase da participação da audiência, vai gerindo as perguntas colocadas, distribuindo-as por cada orador; no final, encerra os trabalhos, com algumas palavras que sumariem as ideias principiais da sessão – mas que não podem ser muitas, já que a audiência se começa a movimentar com vista a preparar a saída.