No espaço de poucos dias os meios de comunicação
social fizeram eco de duas situações do mesmo teor: há atividades que
necessitam de trabalhadores para trabalhos sazonais – como a apanha do tomate
ou das uvas – e não os conseguem obter.
Pode-se argumentar que este tipo de notícias, e o enquadramento
que lhes é dado, é enviesado; que notícias pontuais de procura de trabalhadores
não refletem a realidade nacional, onde escasseia o trabalho; que desencontros
de natureza geográfica, entre a oferta e a procura de trabalho, nunca são tidos
em consideração para enquadrar as notícias.
Pode-se, efetivamente. Porém, é justo pensar que há
instrumentos de política social, como o caso da atribuição de um subsídio a
quem cai numa situação de desemprego, que são justificáveis no contexto de um
país solidário e socialmente comprometido, mas que podem acabar por ter um
efeito nefasto sobre o funcionamento do mercado de trabalho e o “casamento”
entre oferta e procura.

